Cuidados pós-morte e capacitação profissional para a morte e luto

Decorreu, no dia 18 de fevereiro, o Seminário "Cuidados pós-morte e capacitação profissional para a morte e luto", onde, num primeiro momento, tive a oportunidade de assistir e aprender a realização dos cuidados pós-morte, uma temática pouco abordada ao longo do Curso de Licenciatura em Enfermagem (CLE) e que despertava em mim bastante curiosidade, tanto a nível do procedimento, como do impacto emocional que poderia ter em mim. Após a visualização de um vídeo demonstrativo dos cuidados, tivemos a oportunidade de assistir à sua execução por uma Professora da ESEnfC juntamente com uma colega de CLE, participando ativamente na descrição de cada etapa. Além disso, refletimos sobre a necessidade de adaptar o procedimento em função do contexto familiar, compreendendo a importância de garantir cuidados dignos e respeitosos, tanto para a pessoa falecida, como para a família. Considerei de maior relevância alguns aspetos que apelaram à minha reflexão. Destaco a importância de envolver a família nos cuidados, caso a mesma assim o deseje, bem como entregar o espólio da pessoa falecida diretamente pelo enfermeiro responsável e num local reservado onde o familiar possa expressar as suas emoções, assegurando a privacidade e o respeito por aquele momento. Aponto ainda que é de grande importância ter em conta a religião da pessoa falecida, respeitando as suas vontades e crenças, reconhecendo que diferentes religiões podem ter rituais específicos que devem ser considerados.

Num segundo momento, com apoio do Professor José Carlos Santos, refletimos acerca da morte e luto, iniciando por compreender quais são os medos que os profissionais enfrentam perante uma situação de comunicação de más notícias, fazendo referência ao modelo de comunicação de Robert Buckman, o protocolo SPIKES (Baile et al., 2000). Através de uma estratégia reflexiva dos sentimentos associados à morte e ao luto (tanto a do outro como a nossa própria morte), o Professor José Carlos apela à perceção individual desses sentimentos através de um jogo. Fomos desafiados a representar, sob a forma de estátua, a imagem da morte, refletindo posteriormente, em silêncio, os sentimentos e emoções que a mesma expressa para cada um. Esta representação permitiu uma abordagem introspetiva, levando-me a explorar e reconhecer os meus próprios sentimentos e tornando-me mais capaz em enfrentar as minhas emoções em situações de morte e luto na prática clínica. 


Referências Bibliográficas

Baile, W. F., Buckman, R., Lenzi, R., Glober, G., Beale, E. A., & Kudelka, A. P. (2000).  SPIKES- A six-step protocol  for delivering bad news: application to the patient with cancer. The oncologist, 5(4), 302–311.     https://doi.org/10.1634/theoncologist.5-4-302

Estudante: Beatriz Raquel Cunha Matos
Professor Orientador: António Jorge Soares Antunes  Nabais
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