
Situação de Catástrofes
O Seminário "Situação de Catástrofes", realizado no dia 18 de fevereiro, foi dividido em dois momentos, iniciando-se pela "Atuação em Contexto de Catástrofe: Uma Visão de Enfermagem", onde Bráulio Sousa, Enfermeiro Militar, dá início mostrando imagens de desastres naturais e emergências em diferentes contextos, desde áreas rurais até grandes cidades, para demonstrar que as catástrofes podem ocorrer em qualquer local, independentemente do nível de desenvolvimento do país. Bráulio Sousa destaca a necessidade de preparação e planeamento e de resposta eficaz para minimizar os impactos negativos e proteger vidas, obedecendo a um ciclo: resposta emergencial, reabilitação, mitigação e preparação. Dá o exemplo do Programa "Aldeias Seguras", de forma a dotar as pessoas com ferramentas de autoproteção em situação de catástrofe. É apresentada evidência científica desde 2017 até à atualidade, que demonstra a evolução da Enfermagem em situação de catástrofe. Diz-nos que, no âmbito académico, esta deve ser uma área abordada e integrada nos currículos de enfermagem, aumentando a consciência dos estudantes de enfermagem sobre a importância da preparação para situações de desastres (Erkin & Kiyan, 2025, conforme citado por Sousa, 2025). As competências em enfermagem para situações de catástrofes podem salvar vidas e trazer contributos valiosos (Hashish & Banoona, 2023, conforme citado por Sousa, 2025) e os enfermeiros devem ser envolvidos em planos, decisões e práticas relativas à gestão de desastres (Demirtaş & Altuntaş, 2023, conforme citado por Sousa, 2025).
A segunda parte do seminário, "Intervenção Terapêutica de Prevenção com Crianças Pós-Catástrofe", foi iniciado pela partilha de uma narrativa baseada num desastre natural ocorrido em Tomar, onde um tornado destruiu por completo a escola onde se encontravam crianças e pessoal docente e não docente. Foi necessária a intervenção rápida dos vários profissionais, especialmente no que diz respeito ao bem-estar psicológico das crianças.
O Professor António Nabais explica, através de um estudo que desenvolveu em 2019, como as intervenções de psicodrama e sociodrama se tornaram benéficas para as crianças das diferentes idades da escola, num período de vulnerabilidade numa situação pós-catástrofe. As crianças apresentaram sintomas detetáveis e um alto risco de vir a desenvolver doença mental, embora não constituíssem critérios para diagnóstico psiquiátrico, logo, foi indicada a intervenção de prevenção (WHO, 2004, conforme citado por Nabais, 2019). As várias intervenções de sociodrama e psicodrama realizadas em grupo passaram pela dessensibilização do trauma (como por exemplo o som do vento) e a dramatização de histórias. No contexto dramático, tudo pode ser representado e transformado, num espaço de liberdade, onde as ações podem ser repetidas e modificadas conforme as suas consequências (Nabais, 2019).

Em situações de catástrofe, é essencial não só garantir a estabilidade física das vítimas, mas também criar um ambiente seguro para a expressão das suas emoções e experiências, muitas vezes traumáticas. Aponto ainda, algo que me fez refletir no momento: a ausência do estigma em relação à saúde mental, por parte das crianças que frequentaram as sessões. Aquelas que necessitavam de mais acompanhamento continuaram a participar nas sessões, enquanto as restantes deixaram de participar. No entanto, o interesse generalizado em participar nas sessões, sugerem que estas não eram apenas um meio terapêutico, mas acima de tudo eram percebidas como uma experiência positiva e divertida para as crianças.
Em modo de conclusão, este seminário permitiu compreender a importância do enfermeiro em contextos de catástrofe, através do relato de experiências reais. Contribuiu para a capacitação para uma resposta eficaz e humanizada em situações de emergência e desastres naturais, ao mesmo tempo que fortaleceu a preparação emocional e ética diante de cenários de elevada complexidade.
Referências Bibliográficas
Demirtaş, H., & Altuntaş, S. (2023). Nurses' competence levels in disaster nursing management in Turkey: A comparative cross-sectional study. International nursing review, 71(3), 556–562. https://doi.org/10.1111/inr.12829
Erkin, Ö., & Kiyan, S. G. (2025). How does integrating 'disaster nursing' into nursing curricula impact nursing students' perception of disaster literacy and preparedness? BMC nursing, 24(1), 1. https://doi.org/10.1186/s12912-024-02478-8
Hashish, E. A., & Banoona, R. (2023). Disaster nursing and disaster preparedness: an investigation of nursing students' knowledge, competence and attitudes. Nursing management, 30(1), 25–31. https://doi.org/10.7748/nm.2022.e2058
Nabais, A. J. S. A. (2019). Intervenção de enfermagem de saúde mental com crianças pós-catástrofe. [Tese doutoramento em Enfermagem, Universidade de Lisboa, Escola Superior de Enfermagem]. Repositório da Universidade de Lisboa. https://hdl.handle.net/10451/38760
Sousa. B (2025, Fevereiro 17). Atuação em Contexto de Catástrofe: Uma Visão de Enfermagem. [Slides de PowerPoint], Escola Superior de Enfermagem de Coimbra.
